domingo, março 01, 2009

Hoje...

Escrevi-te ontem
somente para dizer

Que continuo aqui, parada no hoje. Como passageiro adiado numa estação-desencontro, onde o comboio nunca tem o destino certo e onde as horas são sempre amanhã.
Se pelo menos soubesse falar-te de amores e lhes retirasse todas as rimas óbvias, gastas e repetitivas, com dores, talvez me aninhasse no silêncio de uma palavra onde esta distância-uivo-de-lua-nascente-mais-que-presente cessasse no agora e... para sempre. Mas onde e como esconder de ti o rio de fogo das saudades? Tudo passa, dizem. E todos os rios secam, dizem também. Menos um, feito abraço embalado e suspirado, por onde navegámos negando a solidão da noite. Lembras-te?Mas eles, os que tanto dizem, não sabem.
E ninguém, nunca, saberá, que ainda permaneço deste lado do tempo onde sou teu.
Nem tu.

Nem tu...

Por que é que não me escreves?

4 Comenta aí po!:

Ayres. disse...

Lindo texto.
=]

Fabrício Sales disse...

Obrigado Ayres, estava com saudades de vc! Não suma!

Larissa disse...

Saudade

Saudade é solidão acompanhada,
é quando o amor ainda não foi embora,
mas o amado já...

Saudade é amar um passado que ainda não passou,
é recusar um presente que nos machuca,
é não ver o futuro que nos convida...

Saudade é sentir que existe o que não existe mais...

Saudade é o inferno dos que perderam,
é a dor dos que ficaram para trás,
é o gosto de morte na boca dos que continuam...

Só uma pessoa no mundo deseja sentir saudade:
aquela que nunca amou.

E esse é o maior dos sofrimentos:
não ter por quem sentir saudades,
passar pela vida e não viver.

O maior dos sofrimentos é nunca ter sofrido.

Pablo Neruda

Fabrício Sales disse...

Bom texto Larissa, gosto do Neruda. bjs!!!