domingo, março 22, 2009

A Flor e a Náusea

Altos papos com Drummond um dia lá em Copacabana.
A Flor e a Náusea

"Preso à minha classe e a algumas roupas,vou de branco pela rua cinzenta.
Melancolias, mercadorias espreitam-me.
Devo seguir até o enjôo? Posso, sem armas, revoltar-me’?
Olhos sujos no relógio da torre:
Não, o tempo não chegou de completa justiça.
O tempo é ainda de fezes, maus poemas, alucinações e espera.
O tempo pobre, o poeta pobre fundem-se no mesmo impasse.
Em vão me tento explicar, os muros são surdos.
............................................................
Uma flor nasceu na rua!
Passem de longe, bondes, ônibus, rio de aço do tráfego.
Uma flor ainda desbotada ilude a polícia, rompe o asfalto.
Façam completo silêncio, paralisem os negócios, garanto que uma flor nasceu.
Sua cor não se percebe. Suas pétalas não se abrem. Seu nome não está nos livros.
É feia. Mas é realmente uma flor.
Sento-me no chão da capital do país às cinco horas da tarde e lentamente passo a mão nessa forma insegura.
Do lado das montanhas, nuvens maciças avolumam-se. Pequenos pontos brancos movem-se no mar, galinhas em pânico.
É feia. Mas é uma flor. Furou o asfalto, o tédio, o nojo e o ódio."
[Drummond]

5 Comenta aí po!:

Myllena disse...

Isso me parece um pouco familiar ..
ahoeiahii

Beijos

Fabrício Sales disse...

Você acha Flor????
rsrsrsrs

Alcilea disse...

"Em vão me tento explicar, os muros são surdos, uaaaaaaaaaaaaauuuuuuuuu, os literatas que lhe segurem...lindo.

Fabiano Barreto disse...

Du caraio!!!!

Fabrício Sales disse...

Fabiano, vc sabe que eu me inspirei nele pra bater aquele papo com o Drummond né? rsrsr