sexta-feira, junho 18, 2010

Saramago

"Não precisei ler o Paulo Coelho. Uma boa doença vale por toda obra do Paulo Coelho" Grande Saramago sendo entrevistado em novembro de 2008 quando lançava no Brasil a sua óbra a Viagem do Elefante.
Nessa entrevista ele falava sobre a serenidade.
Deixará saudades...

"A lucidez naquele grau é um privilégio de poucos, não consigo escapar do clichê, mas definitivamente o mundo ficou ainda mais burro e ainda mais cego hoje".

Concórdo plenamente com a frase do querido Fernando Meirelles

quinta-feira, junho 10, 2010

Cartas a um Amor Futuro 2

Ele abraçou as palavras e a seguir despiu-as, letra a letra, devagar, como barcos vermelhos que lhe saíam dos dedos. Em silêncio. Como um ser alado da noite. Criatura onírica, transparente, indizível e único. Trazia no espelho do olhar todas as homens que ousara ser. Olhou-a de frente, como se olhasse para a estrela da manhã, e murmurou-lhe:
'- E pela última vez te contarei como uso as asas em noites de paixão. E pela última vez te segredo que fui anjo de papel colorido e fui menino com tranças em frágeis laços de papel de lua e fui noivo em moldura de flor de laranjeira e fui palhaço de rábulas surrealistas e delirantes e fui principe de povos mágicos e dolorosamente reais e fui pérola tão impossível de tão puro e fui segredo em silêncio de mulheres proibidas e fui homem em chamas vestido de negro e fui jardim onde repousas as ternuras que não confessas e fui jóia que usaste ao peito como medalha e fui capitão para que tu fosses sereia e fui pirata para que usasses o tesouro que era meu. E hoje, meu amor, desejo apenas que digas o meu nome...'

sexta-feira, maio 21, 2010

És o poema...

Em mim, moras tu. Moras na sede da minha pele, e nela te sacias, repousas e renasces. E em cada segundo... a cumplicidade do olhar, onde nos deitamos, num prazer absoluto. Sem vergonhas nem vertigens. Em mim, moras tu. Segredam-me ventos os teus segredos. Agita-se a tua alma nos meus poros. Desassossega-me o teu corpo, que sei as margens transbordantes, as fases crescentes e as marés vivas. Olho a página em branco e não escrevo. Hoje não te escrevo uma carta, amor. És o poema. E estás em mim.



E o resto, o resto não importa.

Sorrio...

quinta-feira, maio 13, 2010

Puxei-te para os meus olhos...

Hoje, com palavras límpidas,
ondulei as linhas de luz
na água da tua vida.

Peguei-te pela mão,
Puxei-te para os meus olhos.

Amanhã, com palavras renovadas,
quero murmurar-te, como quem sorri,
que em ti encontrei o segredo,
a chave de cristal
dos sons que aqui escrevo.

Pegando-te no espanto
de um amor não esperado,
convido-te a ficares em mim.

sábado, abril 24, 2010

Falsa Consideração

Ah, esses dias algo engraçado ocorreu comigo, alguém me procurou e nada melhor do que essa música do Marquinhos Santana para ilustrar.
Não é nada pessoal.

Agora eu sei
Que o amor que você prometeu
Não foi igual ao que você me deu
Era mentira o que você jurou

Mas não faz mal
Eu aprendi que não se deve crer
Em tudo aquilo que alguém nos diz
Num momento de prazer ou de amor

Mas tudo bem
Eu sei que um dia vai e outro vem
Você ainda há de encontrar alguém
Pra lhe fazer o que você me fez

E aí, na hora do sufoco sei que você vai me procurar
Com a mesma conversa que um dia me fez apaixonar
Por alguém de uma falsa consideração

E aí, você vai perceber que eu estou numa boa
Que durante algum tempo fiquei sem ninguém
Mas há males na vida que vem para o bem

sexta-feira, abril 16, 2010

Aos amigos

A todos os amigos que por aqui passam, a todos os amigos que nos são presentes, a todos os amigos que durente um período do tempo - longo ou curto - vão passando. Permitam-me que vos diga que me fazem bem, ... que me sopram brilho para os meus olhos... que me fazem sentir abraçado, mesmo quando a única mão que me toca o rosto é a minha.

Os amigos nos fazem um bem ágape. Multiplicando sempre as alegrias e dividindo as tristezas. E por aqui faço-lhes uma singela homenagem.

«Em cada palavra tua, amigo(a),
em cada sílaba acariciada pelos teus dedos,
há uma semente de voo de vento sagrado...
E o meu sorriso de ilha sem barco,
faz-se presente, cascata, ri(s)o ondulado,
doce onde era salgado....»

Obrigado!!!

quinta-feira, abril 08, 2010

NUMA RENDA FINA QUE SE DESFAZ AO TOQUE...


Esta palavra AMOR

Ousadia pronunciá-la, sobretudo quando somos os primeiros a afirmar 'Não sou a pessoa mais indicada para falar dele neste momento...'. Não sou, sei-o. Do amor verdadeiro, despojado de tudo, intenso e brutal, que com beijos se torna profícuo, triunfal, capaz de transportar montanhas e despertar cidades adormecidas.

É através desse amor que se desfazem laços, se voltam páginas e se viram costas. Abrem-se novas esperanças, esfarrapam-se vidas, trocam-se destinos, tecem-se sonhos, linha por linha, numa construção nem sempre pacífica, mas, paciente, demorada, que envolve e progride entre risos e lágrimas emoldurando uma história feita de instantes, feita de imagens tantas e tantas vezes, na essência, desfocadas.

É através desse amor, tão comum e tão singular, que o sol dá lustro ao dia e a lua enfeita o seu espaço no céu, o acordar é mais leve, o adormecer mais sentido, os nossos passos elevam-nos e as palavras rodopiam, loucas, numa eterna ânsia de recomeço.

Sutil quando chega, destemido e poderoso, denuncia-se no olhar inundado de brilho, entrega-se em duelos, fulmina em cada demanda e redime-se no perdão.

Etéreo. Diáfano. Sensível. Numa renda fina que se desfaz ao toque.

Chega, em espelho. Esse amor refletido baila no ar, numa verdade líquida e transfigurada porque é nosso, só nosso.

Ele repousa em cada segundo que deixamos por aí ao som do ar, ao toque da areia fina, a fluir sem sentido, sem rumo, num acaso encantado. Esse amor tão verdade, dádiva tão profunda e só, que desajeitadamente misturamos com tudo.

Chamam-lhe ternura, chamam-lhe cumplicidade, chamam-lhe amizade, chamam-lhe sexo. Dá por todos esses nomes, camuflado, a nosso gosto lá está, a confundir e a baralhar, a fazer batota e a esgueirar-se, escondendo-se disfarçado.

Mascarado de prazer, mascarado de dor, mascarado de paixão, mascarado de nada e, tanto faz, o amor sabe o que é. A correr veloz, surpreendendo-nos com a pressa ou, em câmara lenta, no reviver continuado de todos os takes.

Não importa o nome, a categoria. Quando chega reconhecemo-lo na alegria, na intimidade, na serenidade, na euforia. Sussurra e grita na nossa alma, dura e perdura nas nossas mãos, profetiza...

O amor impõe-se.

Não há dia nem noite que o apague, não há maré que o arraste, nem rochedo que o arrase. Forte como o vento, vulnerável como as nuvens, simples, tão simples que não há também palavra que o dite e já tantas correram o mundo e já todos doutrinaram sobre ele.

Mas, nenhuma palavra é tão pouco, ou tão tanto, que lhe baste.

A linguagem do amor... esse poder inabalável que transfigura e regenera, ameaça e corrompe, reconcilia e comove...

...e até acreditamos nele. Até acreditamos.