sábado, dezembro 12, 2009

Tempo, tempo, tempo...

Há noites assim, em que o tempo para à nossa frente... e nos interroga se continuamos a corrida ou nos visitamos no passado. E nem o olhamos, a ele, ao tempo, ilusionista sedutor, nas suas permanentes e incandescentes tentativas de tornar o todo num nada. Porque tudo muda, tudo é fluido e frágil... sim, eu sei, e se eu quiser revisitar-me? Se quiser refugiar-me num daqueles dias em que a felicidade escapou aos olhos alheios e perecíveis? Se decidir voltar até mim, ao momento em que me despedi das flores dos dias que tomavam forma num rosto e num nome? E se decretar que a partir de hoje vou espalhando pelo caminho as esperanças de um beijo esquecido nos patamares cá dentro, a que costumam chamar alma? E se declarar que abrirei os braços a rios ébrios de afetos... até nunca me querer saciar? E se te desafiar, tempo, a descobrires todas as vontades depositadas pelos meus olhos em cofres e baús de anjos-poetas?
...
As almas comandam os dias, mas ainda mais as noites. Não tu, tempo. As almas!!! Quando o rasgar da saudade se sente a cada instante nos ombros que anseiam por uma carícia...

sábado, dezembro 05, 2009

Dezembro(s)

Os Dezembros possuem um aroma almiscarado de saudade com esperança.

Dezembro é sempre mágico, é o encontro ímpar de passado e futuro, é a hora da reflexão e dos desejos, de enxugar as lágrimas face ao não retorno, do sorriso de expectativa.

Dezembro é Natal, é beleza, é o momento da redenção, da Fé, do Perdão, de lembrar os esquecidos, de ver além do próprio umbigo.

Dezembro é exceção, mas deveria ser rotina, é exemplo e deveria ser seguido.

Dezembro é festa. É promessa de mudança, é chama acesa!

Dezembro é o prelúdio do futuro, é a chave do recomeço, é a estação final do passado, a conexão com o futuro, o momento de arquivar o que passou.

Dezembro é extremo, é decisivo, é palco de todas as recordações.

Dezembro é quando eu me lembro mais da minha impermanência e de que sou só um grão de areia, oscilando ao sabor das dunas intermitentes dos dias, que nunca se cansam de se modificarem.

Texto Adaptado

segunda-feira, novembro 30, 2009

Pensamento

Se quizeres conhecer um homem, de-lhe poder e fique a observar a distância as suas atitudes, antes de ser guindado ao posto e após.
Se quizeres conhecer uma floresta, afasta-se dela e fique a observar à distância, suas árvores, seus frutos, suas sombras, pois se estiveres muito próximo não perceberás todas estas qualidades e belezas por ela refletida.

quarta-feira, novembro 11, 2009

This is your life - Switchfoot

This Is Your Life

Yesterday is a wrinkle on your forehead
Yesterday is a promise that you've broken
Don't close your eyes

This is your life and today is all you've got now
And today is all you'll ever have

Don't close your eyes

This is your life
Are you who you want to be?
This is your life
Are you who you want to be?
This is your life
Is it everything you've dreamed it would be
When the world was younger
And you had everything to lose

Yesterday is a kid in the corner
Yesterday is dead and over

This is your life
Are you who you want to be?
This is your life
Are you who you want to be?
This is your life
Is it everything you've dreamed it would be
When the world was younger
And you had everything to lose

Don't close your eyes (4x)

This is your life
Are you who you want to be?
This is your life
Are you who you want to be?
This is your life
Are you who you want to be?
This is your life
Are you who you want to be?

This is your life
Is it everything you've dreamed it would be
When the world was younger

And you had everything to lose (2x)

domingo, outubro 25, 2009

Resonâncias & Contrastes











quinta-feira, outubro 15, 2009

Professores, Mestres, Doutores, Pesquisadores

Imaginava, aquela altura que era possivel separar o professor do pesquisador. Depois entendi que não, que o ensino e a pesquisa são indissociaveis.
Não posso Transmitir aquilo que não sei fazer, exceto se quiser ficar condenado a reproduzir - e nem sempre acertadamente - conhecimento de terceiros. O importante para mim era entrar de corpo e alma no ensino e na pesquisa, na elaboração do conhecimento.
Feliz dia dos Professores, até mesmo aqueles que não o são de formação, mas da própria vida.

sexta-feira, outubro 09, 2009

Pensée

Lá fora não. Havia um vento próprio de uma Primavera prometida que, contudo, tinha ainda restos de um Inverno inesperado. E, lá dentro, desde que fumar não era permitido no interior daquele café, o sol entrava e abria as janelas de vidro, grandes e largas.
Sentou-se. Não queria café. Apenas uma água limpida, transparente, natural...
O olhar atravessava os óculos escuros, como que a esconderem o pensamento. Não via o que queria, ou não queria ver? Ver é duro quando a realidade brinca de esconde esconde como criança que vai crescendo e a gente não quer.
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Abriu o livro,...mas não. Nem ler conseguia. Encostou o queixo na palma da mão direita e, mais uma vez o olhar percorreu o floxo do rio. A corrente sempre na mesma direcção, o fluxo sempre o mesmo apesar das marés... Que fora que mudara? Que raio de coisa mudara?
Não conseguia encontrar a razão....
Respirou fundo e uma serenidade enorme atravessou-lhe a alma. Era como se se abandonasse ao curso do rio...Havia barcos ao sabor da corrente, e o olhar desviava-se, continuava a olhar o curso do rio. Havia gaivotas que mergulhavam tontas e sôfregas de peixe, ... e olhar continuava a percorrer o fluxo do rio... Havia pardais soltos no vento,... e o olhar procurava sempre o curso do rio....
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Abriu o livro, " A mulher Certa". Baixou o olhar à sorte sobre a página marcada..."O que quis ele dizer?...Se calhar que um homem só vive enquanto tem um papel a desempenhar. Que depois, já não vive, somente existe. Tu não podes compreender porque desempenhas um papel no Mundo...o teu papel é amares-me. Ora, está dito. Não me olhes assim obliquamente, irritado. Se alguém ouvisse o que estamos falando aqui(...) ...uma pessoa má que visse a cena de fora e nos ouvisse, iria acreditar que conversamos como dois cumplices....(...) Ri, isso...Porque só os dois é que sabemos a verdade sobre nós"...pag. 328
Fechou o livro e, recolocou o queixo na palma da mão direita. Teimosamente continuaria a olhar o curso do rio.